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As Portas do Coração

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo. (Apocalipse 3:20)“

Eis que estou à porta e bato”. Essa famosa frase dita pelo Mestre Jesus, obviamente que tem o sentido figurado, como a maioria dos Seus ensinamentos e das Suas incomparáveis e inesquecíveis parábolas.

Confesso que a porta mais distante, e, também, a mais profunda e sensível, é a do coração; é a da alma.

O Mestre Jesus, no momento certo, sabe tocar o coração de cada um dos filhos do seu Grande Pai.

Tenho que compartilhar uma história muito inusitada, mas que traduz, essencialmente, a existência do Criador e de Suas criaturas.

Por mais que tento estar sempre sintonizado com as boas vibrações e pronto para testemunhar o amor incondicional, a correria cotidiana me faz ter atitudes mecânicas, que penso ser irrelevantes, tais como comprar uma marmita para almoçar.

Certa feita, eu me dirigi a um restaurante próximo à minha casa, com o intuito de pegar uma simples marmita. Após comprá-la, quando retornava ao meu carro, fui abordado por um rapaz em trajes maltrapilhos, descalço, não aparentando lucidez e que ficava “guardando o carro” de quem parava nos arredores daquela quadra de uma famosa Avenida de Cuiabá.

Eu estava com a carteira na minha mão, o meu celular e a marmita, com a proximidade dele, já pensei: vai querer um trocado. Ledo engano, o rapaz me fez a seguinte pergunta:–Você é cristão?

No momento, não esperava nunca uma pergunta dessas e, sem me atentar para a profundidade do questionamento, disse que sim e continuei andando.

Nesse momento, ele avassalou o meu ser com um pedido inusitado: –Por favor, reze por mim!

Como que eu podia ficar indiferente? Voltei o olhar para ele e perguntei o seu nome. Eu nunca mais vou esquecer o nome desse meu irmão; ele me disse: – É GLAUCO!

Respondi que rezaria, mas não disse do fundo da minha alma; é o famoso automatismo dos seres calejados com o interesse alheio.


Eu não tinha mensurado o que estava acontecendo e continuei caminhando, esperando que ele pedisse um trocado.

No entanto, ele não me pediu mais nada. Entrei no carro absorto e fui conversar com a minha mulher, ainda não entendendo o que havia acontecido.

A ficha ainda não havia caído. Contei a história para a minha mulher e mostrei o rapaz a ela. Nos dois minutos que demoraram para eu chegar em casa, passou um filme na minha mente.

O meu raciocínio, infelizmente, não foi rápido. Depois entendi a profundidade do questionamento dele. As pessoas, normalmente, não perguntam se você é cristão, elas perguntam se acredita em Deus, se é católico, evangélico ou etc. Mas ele, preso no labirinto das suas angústias e dos seus problemas, me questionou se eu acreditava no Mestre Jesus, no Cristo Redentor, no Mártir do Calvário.

Depois da minha resposta afirmativa, fez apenas um pedido que não custa nada, ou seja, que rezasse por ele; que ele estivesse em minhas orações.

Quando cheguei à minha casa, confesso que estava com remorso e arrependimento por ter duvidado da solicitação de socorro de um irmão em dificuldades espirituais e mundanas.

Ele não me pediu comida, apesar de estar aparentemente faminto. Ele não me pediu uma muda de roupa, apesar de estar maltrapilho. Ele não me pediu um emprego, apesar de estar sem uma profissão digna e nem me pediu dinheiro, como seria óbvio e previsível.

Eu almocei rapidamente, peguei uma mochila e enchi de roupas que abarrotam o meu armário e que não uso mais, por achar que estão um pouco desbotadas ou que não combinam com o meu “estado de espírito”.

Uma hora depois, aproximadamente, eu voltei no mesmo lugar para dar-lhe as roupas, mas, para a minha surpresa, ele não estava mais lá.

Deixei a mochila com as roupas no porta-malas do meu carro. Passei inúmeras vezes pelo mesmo local, mas nunca mais vi o meu irmão GLAUCO.

Perguntei a outros guardadores de carro que ficavam no mesmo lugar, mas eles disseram que não conheciam nenhum Glauco.

Eu nunca mais o encontrei, não sei se vou voltar a vê-lo, mas confesso que ele continua ainda em minhas preces.

O próprio Mestre disse que quando déssemos algo a um faminto, seria a ele que estaríamos dando. Nesse dia, sei que o Mestre bateu à porta do meu coração, mas fica a lição, nunca sabemos quando Ele vai bater, mas estejamos sempre prontos, pois todos nós somos filhos do mesmo Criador e precisamos nos amar, e esse verbo não se conjuga somente em sentimento, mas só se completa quando é transformado em atos.

Amor é atitude, amor é prece, amor é o Glauco, representante fiel da presença do Cristo entre nós.

Felipe Freitas

Autor e Escritor

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