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Por que é tão importante falar sobre dislexia?

O medo do julgamento sempre me fez esconder do mundo a minha condição, o fatídico diagnosticada com esse transtorne de aprendizagem veio aos 20 anos.

Em um dos momentos, mais controversos da minha vida, quando optei por cursar a faculdade de direito. Quero através do meu testemunho desmistificar a Dislexia.

Dislexia é um transtorno genético e hereditário da linguagem, de origem neurobiológica, que se caracteriza pela dificuldade de decodificar o estímulo escrito ou o símbolo gráfico. Ela compromete a capacidade do indivíduo de aprender a ler e escrever com correção e fluência e de compreender um texto.

Hoje, sou muito bem resolvida, aceito-me com todas as minhas dificuldades. Sou filha única nascida de uma normalista ou professora do ensino fundamental, nunca havia me percebido anormal até iniciar a minha vida escolar.

Na primeira infância sempre fui uma menina criativa, cheia de imaginação, amava música e produzir pequenos eventos em nossas brincadeiras infantis.

Mas, a minha percepção mudou muito em 1986, no primeiro dia de aula, além daquele show de sucesso do choro de toda criança. Ao longo dos meses conclui que haveria algo de errado comigo, nada fazia sentido, a confusão entre as letras e as sílabas eram desesperadoras.

Não conseguia assimilar de forma alguma atividades classificadas como básicas, como cores, qual era a direita ou à esquerda. Me sentia uma aberração da natureza dentro do ambiente escolar. O desespero só aumentava e com o passar do tempo, quando fui devidamente matriculada na 1ª série, não conseguia acompanhar a minha turma, sendo sempre a última a finalizar as atividades. Meu sentimento de fracasso aos 07 (sete) anos era enorme, sendo filha de uma professora (considerada uma das mais competentes em sua unidade escolar).

E para acabar de desmoronar o meu mundo, perdi o meu pai brutalmente assassinado em junho daquele mesmo ano. Toda aquela situação estranha ou controversa me quebrou por dentro, toda aquela dor imensurável com a imensa vergonha de desapontar a minha mãe me massacravam dia após dia.

Era algo desolador, sem exageros a incapacidade de aprender a tabuada, escrever palavras simples sem trocar as letras eram enormes.

Muitas vezes, dormia chorando baixinho, por receio de não ser capaz, todas as noites pedia para Deus me fazer normal. Fui me fechando fazendo do silêncio o meu melhor amigo, pois calada passa invisível pelos coleguinhas. Criei uma dimensão paralela onde encontrava alento, não existia sofrimento consequente do bullying que fazia parte da minha rotina.

Com muitas dificuldades conseguia me arrastar até as recuperações, conclui cada ano e passei no tão almejado vestibular. Imaginei que estava conseguindo vencer os meus obstáculos, até me deparar com um dos cursos que mais exigem leitura e interpretação de texto. Confesso, que pensei em vários momentos desistir, abandonar tudo ou mudar o foco.

A conquista do “canudo” veio com um sabor de superação, pois no caminho desenvolvi depressão, anorexia nervosa, fibromialgia, a desconhecia ansiedade (tive ataques que me causavam a sensação de morte), enfim foram muitas lágrimas vertidas.

Guardava esse meu medo medonho de não ser aceita, criticada ou desdenhada pelo meio social. Mas um belo dia me dei o direito de encarar, buscar ajuda, esclarecimento sobre esse fantasma. E senti um alívio enorme por perceber que não estou sozinha, a Dislexia atinge mais de 17% da população mundial.

Então quero com esse pequeno relato alerta os pais, notas baixas, tarefas incompletas e resistência em ir à escola são fatos frequentemente associados à preguiça.

Mas, são sintomas que podem indicar que o seu pequeno, apresenta um quadro desse distúrbio. Busque ajuda de um profissional da área devidamente qualificado, em Mato Grosso contamos com uma associação onde pais recebem orientações e o diagnóstico preciso.

Não existe cura para a dislexia, pois sendo um distúrbio, o disléxico sempre será disléxico. Mas com um acompanhamento especial, personalizado, que mantenha a sequência conseguirá alcançar amplo sucesso, devemos sempre respeitar o seu ritmo de cada um.

Sou Maria Gabriela, disléxica, mãe, empresária, produtora executiva cultural e feliz.

Maria Gabriela Mazzetti

Autor e Escritor

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